segunda-feira, abril 27, 2009

Mendigo.



- Tens medo princesa?
- Medo de quê?
- De te apaixonares…
De tornares esta suspeita numa certeza.
Medo de te me dares!

Tens?
- Não sei bem.
Nem sei o que te deu para me falares.
Tenho dúvidas. Mas nisso sei-me sem ninguém…
Sem rostos, cheiros ou paladares!

Mas o que é isso de me apaixonar?
- Algo que não saberás de ouvir…
Algo que não te conseguiria explicar.

- E assim fico? Sem o saber?
- Assim é.
Agora são minhas as indecisões…
Se fiz mal para te perder,
Ou se vives com dois corações?!

- Porque me não tentas ensinar?
- Não. Eu é que te pergunto…
Porque passaste? Porque apareceste? Porque abalaste?
Mostrei-te tudo o que te podia dar
E na minha pobreza de mendigo recuaste!

E se me vi disposto a esse apaixonar,
Hoje me revolto no mendigo das ruas.
Não o pobre que não pode sonhar,
Mas um ninguém que aprendeu
A amar, nas pedras nuas,
Só a vida que Deus me deu!!


Kum

sábado, abril 25, 2009

Estátua.



Hoje sentei-me ao pé da estátua de um poeta. Encostei-me no seu dorso, no sentido do sol, absorvendo todos os seus raios…
Conversamos, e egoístas, partilhávamos só para nós o maior bem do mundo.
Num repente perco dois autocarros (dos que me trazem), apenas pela falta de forças e de coragem em acabar com aquele momento. Mas sinto-me tão bem…
Ao ritmo da música que se espelhava entre os meus ouvidos, fazia versos dentro da minha própria cabeça… pensei ter encontrado um daqueles momentos perfeitos para passar ao papel... mas não. Não, hoje não vou, não quero escrever. E este ao meu lado, este é que é o poeta, ele que diga, se conseguir o que eu sinto!

[silêncio]

Não penses velho. Não penses, que nem me sinto quando sou eu!

[sorrisos]

Deixem-nos aqui. Só a saborear o sol que alguém nos deu…


Kum


“Era um sonho talvez...-foi um sonho-
Em que a paz tão serena a dormi!
Oh!, que doce era aquele sonhar...
Quem me veio, ai de mim!, despertar?”

Almeida Garret, Este Inferno de Amar

sexta-feira, abril 24, 2009

Querer...



Queria ter poder de mim!
Dar a parte fraca a quem me quisesse levar,
Perder-me no fim
E no fim despedir-me do ficar.

Queria soltar gritos de desesperos
Despedaçar o monstro que se me prende,
E revelar todos os meus segredos...

Queria poder tanto,
Sem ter que dizer nada!
Só ficar no meu canto,
Numa alma desperdiçada....

Mas estas gentes obrigam-me a ser feliz.
Os sons fazem-me partir
E os sentimentos dos quais me desfiz,

Os pensamentos que me querem suprir,
Tiram-me daquilo que eu sempre quis
Para voltarem a fazer-me sorrir!

E assim fico, assim me vejo, assim sou.
Leve pesar de criança triste,
No meu querer em nada e de tudo que não mudou!!!


Kum