sábado, maio 16, 2009

(Pois) que façam!



Sejam assim para mim.
Todos os terços onde choro,
Todas as noites que me derrotam.
Que me amargurem todas assim…
Que todos os dias acordo
E me levanto, como as flores brotam!

Que seja cinzento o rio,
Onde me poluem a esperança
E me infeccionam a alegria…
Feche-se o céu em tons de sombrio,
Que em mim farei bonança!
Em mim nascerá um novo dia!

Que me tirem o chão.
Vá lá!! Arranquem-me o brilho.
Fujam com o meu olhar
E me tragam a solidão.
Que eu luto, traço um novo trilho
E continuarei a caminhar!

Que se abram os infernos!
E que parem os tempos
Sobre tudo o que eu preciso.
Desapareçam sonhos internos…
Que pois eu! Eu sou feito de (bons) momentos
E jamais perderei o meu sorriso!!


Kum

segunda-feira, abril 27, 2009

Mendigo.



- Tens medo princesa?
- Medo de quê?
- De te apaixonares…
De tornares esta suspeita numa certeza.
Medo de te me dares!

Tens?
- Não sei bem.
Nem sei o que te deu para me falares.
Tenho dúvidas. Mas nisso sei-me sem ninguém…
Sem rostos, cheiros ou paladares!

Mas o que é isso de me apaixonar?
- Algo que não saberás de ouvir…
Algo que não te conseguiria explicar.

- E assim fico? Sem o saber?
- Assim é.
Agora são minhas as indecisões…
Se fiz mal para te perder,
Ou se vives com dois corações?!

- Porque me não tentas ensinar?
- Não. Eu é que te pergunto…
Porque passaste? Porque apareceste? Porque abalaste?
Mostrei-te tudo o que te podia dar
E na minha pobreza de mendigo recuaste!

E se me vi disposto a esse apaixonar,
Hoje me revolto no mendigo das ruas.
Não o pobre que não pode sonhar,
Mas um ninguém que aprendeu
A amar, nas pedras nuas,
Só a vida que Deus me deu!!


Kum

sábado, abril 25, 2009

Estátua.



Hoje sentei-me ao pé da estátua de um poeta. Encostei-me no seu dorso, no sentido do sol, absorvendo todos os seus raios…
Conversamos, e egoístas, partilhávamos só para nós o maior bem do mundo.
Num repente perco dois autocarros (dos que me trazem), apenas pela falta de forças e de coragem em acabar com aquele momento. Mas sinto-me tão bem…
Ao ritmo da música que se espelhava entre os meus ouvidos, fazia versos dentro da minha própria cabeça… pensei ter encontrado um daqueles momentos perfeitos para passar ao papel... mas não. Não, hoje não vou, não quero escrever. E este ao meu lado, este é que é o poeta, ele que diga, se conseguir o que eu sinto!

[silêncio]

Não penses velho. Não penses, que nem me sinto quando sou eu!

[sorrisos]

Deixem-nos aqui. Só a saborear o sol que alguém nos deu…


Kum


“Era um sonho talvez...-foi um sonho-
Em que a paz tão serena a dormi!
Oh!, que doce era aquele sonhar...
Quem me veio, ai de mim!, despertar?”

Almeida Garret, Este Inferno de Amar